terça-feira, 10 de março de 2009

PORTUGUÊS I - Curso Teológico

Uma História de Evolução
Isac Machado de Moura

Da fumaça à internet,
quantas formas de comunicação,
os tambores,
os horrores de uma civilização:
invasão,
colonização,
intolerância cultural:
discordou,
mete o pau.
Línguas se sobrepõem,
costumes se alteram,
religiões são impostas,
guerras pela paz,
da espingarda ao antraz,
evoluções da humanidade,
capacidade de auto-destruição;
encara-se tudo,
tem-se medo de avião...
eh! mundão!
Avanços na terra,
festa de arromba:
queremos guerra... temos bomba.
No século da comunicação,
o diálogo emperra:
argumentação para justificar a guerra.
Internet,
o breguete do século, cheio de artimanha,
não se conhece o vizinho,
mas tem-se “amigo” na Alemanha,
milagres da comunicação,
da globalização,
da distância,
da aproximação.
Comunicação,
necessidade humana
e humanitária,
ora para o bem,
ora para o mal;
através dela,
mata-se,
salvam-se vidas...
o homem domina,
o centro,
o ser,
o dono ....
nós.



Cultura, Comunicação e Linguagem

O homem é um ser social, logo apresenta uma necessidade intrínseca de interação com a realidade que o cerca, ou seja, com o seu meio-ambiente. A esta interação(troca de informações), dá-se o nome de comunicação.
Através da comunicação o homem divide com seus semelhantes sua visão de mundo, suas experiências, seus sentimentos, suas descobertas e criações, ou seja, sua cultura.
Com relação a cultura, podemos afirmar que todo grupo social é detentor de determinados traços culturais peculiares, não havendo, portanto, cultura inferior ou superior, mas sim diferente. Não existe nenhum grupo social desprovido de cultura.
Toda e qualquer manifestação cultural deve ser respeitada, nunca violada, como mostra o texto.
A língua de um povo é parte integrante de sua cultura, devendo, portanto, ser valorizada.
Mais do que um ser racional ou social, o que realmente caracteriza e individualiza o ser humano é a linguagem, isto é, a sua capacidade de se comunicar. É através da linguagem que o ser humano consegue transmitir e/ou expressar suas idéias, seus pensamentos.
Segundo o professor e gramático Celso Cunha, linguagem “é todo sistema de sinais que serve de meio de comunicação entre os indivíduos. Desde que se atribua valor convencional a determinado sinal, existe uma linguagem.” Assim, podemos distinguir, basicamente, dois tipos de linguagem:

Linguagem Verbal – utiliza-se de palavras(escritas ou faladas): telegrama, jornal, telefone, rádio, tv, etc. Podemos, então, dizer que toda língua é uma linguagem verbal.

Linguagem Não-Verbal – não se utiliza de palavras; baseia-se nos sentidos: fotografias, gestos, cores, etc.

Língua “é um conjunto de estruturas verbais portadoras de significado, que combinam as frases, sendo produzidas a partir de sons organizados pelo homem.” Sendo uma criação da sociedade, não pode ser imutável; muito pelo contrário, vive em perpétua evolução.

EXERCÍCIOS

1. Marque C para certo e E para errado.

a) ( ) Qualquer forma de comunicação é uma linguagem.
b) ( ) A língua de um povo, ou seja, seu idioma, é um tipo de linguagem.
c) ( ) A língua em sua modalidade falada é a forma de linguagem mais utilizada.
d) ( ) O exercício da língua nos é dado pela natureza.
e) ( ) Alguns grupos humanos não têm nenhum tipo de cultura.

2. Seria correto dizer que o homem é um ser lingüístico? Justifique.

3. O que é linguagem?

4. Quais são os tipos de linguagem? Explique-os.

5. Língua e linguagem verbal é a mesma coisa? Explique.


6. Toda linguagem é uma língua? Por quê?


7. Explique com suas palavras o que é comunicação.

8. Explique com suas palavras: “ não existe nenhum grupo social desprovido de cultura.”


9. Você se considera uma pessoa comunicativa? Por quê?


10. Explique com suas palavras os versos a seguir, do texto “Uma História de Evolução”:
“Não se conhece o vizinho, / mas tem-se amigo na Alemanha.”


UNIDADE E VARIEDADE DA LÍNGUA

A língua apresenta variações de acordo com as diversas circunstâncias em que é falada, de acordo com diversos fatores.


a) Fatores geográficos – O Brasil é um país gigantesco e todos falamos uma única língua oficial, o português, que sofre variações de acordo com as regiões onde é falada. São as variantes regionais, os falares. Assim, embora a língua seja a mesma em todo o território, o paulista, o mineiro, o carioca, o baiano, isso para citar alguns exemplos, apresentam sotaques diferenciados na hora de falar.

b) Fatores sociais – O português falado pelas classes dominantes difere do português falado pelas classes populares. Assim, a elite domina uma forma de expressão lingüística que é prestigiada, enquanto outras são vítimas de preconceitos por empregarem uma forma de expressão lingüística menos privilegiada. Assim sendo, distinguimos de imediato duas modalidades diferentes da língua: a norma culta e a linguagem coloquial. Concluímos, portanto, que o idioma é um instrumento de dominação e discriminação social. Dessa forma, o conhecimento da norma culta torna-se necessário como forma de ascensão profissional e social.
Determinados grupos sociais elegem certas formas de expressão visando o entendimento exclusivo dos seus membros. Trata-se de uma forma restrita(e de curta duração) de comunicação, a gíria, variante lingüística sujeita a contínuas transformações, muitas vezes assimiladas pela linguagem coloquial.
A norma culta é o registro formal da língua seguindo com rigidez os padrões gramaticais e apresentando um vocabulário bastante culto.
A linguagem coloquial, por sua vez, é a variante popular, desprovida de maior rigor gramatical, mais espontânea e relaxada.

c) Fatores profissionais – O exercício de certas atividades requer o domínio de formas peculiares de expressão, ou seja, termos específicos de uso restrito ao intercâmbio profissional de engenheiros, médicos, jornalistas, professores, etc. Trata-se da chamada língua técnica ou jargão.

d) Fatores situacionais – Em diferentes situações de comunicação, um mesmo indivíduo se expressa de diferentes maneiras, adequando seu vocabulário ao contexto lingüístico. Por exemplo: num ambiente familiar, nossa linguagem é relaxada, despreocupada, ao passo em que numa situação formal, como num discurso de formatura, nossa linguagem é mais apurada, pois há uma preocupação com as regras gramaticais.

Gramática

Dentro da diversidade das línguas ou falares regionais se sobrepõe um uso comum a toda o território, fixado pela gramática normativa, que tem por objetivo fixar normas para o uso da língua, criando os conceitos de certo e de errado.
Posicionando-se sobre os conceitos de certo e errado, declara o professor e gramático Celso Cunha: “Correto é aquilo que o grupo social a que pertencemos espera de nosso comportamento verbal.”


Exercícios

1. Relacione:


A – fatores geográficos B – fatores sociais
C – fatores profissionais D – fatores situacionais
E – norma culta F – gramática descritiva
G – gramática histórica H – gramática normativa

a) ( ) Falamos de acordo com o ambiente e o contexto em que estamos.
b) ( ) Variantes regionais ou falares.
c) ( ) Língua técnica ou jargão.
d) ( ) Norma culta e linguagem coloquial.
e) ( ) Forma prestigiada de utilização da língua.
f) ( ) Estabelece as noções gerais de certo ou errado.
g) ( ) Preocupa-se em fazer uma descrição da língua.
h) ( ) Estuda a evolução da língua ao longo do tempo.


2. Quem fala errado: o nordestino, o mineiro, o carioca ou o paulista? Justifique sua resposta.

3. De acordo com o que foi estudado até aqui, o que você considera “falar bem”?

4. Explique o que são falares regionais.

5. Relacione de acordo com os registros da língua:
A – formal (norma culta)
B – coloquial (popular)

a) ( ) “A gente correu, mas a cana pegou todo mundo.”
b) ( ) “Senhores formandos, tendo a nau atingido seu ponto, é mister que sejam delineados os objetivos específicos.”
c) ( ) “Isso é homem que não agüenta o trabaio... quer é vagabundear, ganhar dinheiro fácil.”
d) ( ) “Na nossa aula de amanhã, veremos outra parte da matéria.”

Não gosta da linguagem coloquial? Então fale difícil!!!

1. Prosopopéia flácida para acalentar bovinos.
Conversa mole pra boi dormir.

2. Colóquio sonolento para gado bovino repousar.

3. Romper a face.

4.Creditar o primata.

5.Derrubar com a extremidade do membro inferior, o suporte sustentáculo de uma das unidades de acampamento.

6. Deglutir o batráquio.

7. Sequer considerar a utilização de um longo pedaço de madeira.


8. Sequer considerar a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais.

9. Derramar água pelo chão através do tombamento premeditado de seu recipiente.

10. Retirar o filhote de eqüino da perturbação pluvial.

11. Quando o sol está abaixo do horizonte, a totalidade dos animais domésticos da família dos felídeos é de cor mescla entre preto e branco.

12. A criatura canonizada que vive em nosso próprio lar não é capaz de produzir um efeito extraordinário que vá contra as leis fundamentais da natureza.

13. De unidade de cereal em unidade de cereal, a ave de crista carnuda, asas curtas e largas, da família das galináceas, abarrota a bolsa que existe nessa espécie por dilatação do esôfago e na qual os alimentos permanecem antes de passarem à moela.

14. Substância inodora e incolor que já se foi não é mais capaz de comunicar movimento ou ação ao engenho especial de triturar cereais.

15. Aquele que se deixa prender sentimentalmente por pessoa destituída de dotes físicos de encanto ou graça, acha-a extraordinariamente dotada desses mesmos encantos que os outros lhe não veem.


O Processo de Comunicação e seus Elementos

A vida humana é um processo contínuo de comunicação, pois para o homem, aprimorar sua capacidade comunicativa é uma forma de ampliar seu relacionamento com o mundo, tornando-se apto a compreender melhor a realidade que o cerca a fim de poder transformá-la.
Assim, em cada ato de comunicação, podemos identificar os seguintes elementos:

a) emissor ou remetente – é o indivíduo (ou grupo) que envia a mensagem.
Ex.: um colunista de jornal.

b) receptor ou destinatário – é o indivíduo (ou grupo) que recebe a mensagem, ou seja, a quem a mensagem é enviada.
Ex.: o leitor do jornal.

c) mensagem
– é o conjunto de informações transmitidas.
Ex.: o conteúdo do artigo.

d) referente ou contexto – é o objeto ou a situação a que a mensagem se refere.
Ex.: o assunto do artigo.

e) canal ou contato – é o meio concreto pelo qual a mensagem é transmitida.
Ex.: o jornal propriamente dito(o papel).

f) código – conjunto de sinais e regras de combinação desses sinais utilizados na transmissão de uma mensagem. Para que a transmissão da mensagem seja eficiente, emissor e receptor devem dominar o mesmo código.
Ex.: a língua portuguesa.


O RUÍDO NA COMUNICAÇÃO

Chamamos de ruído todo e qualquer elemento que atrapalhe, de alguma forma, o caminho da mensagem, como por exemplo, um barulho, um incidente qualquer, a deficiência no domínio do código empregado.
Nos textos a seguir, observamos uma série de ruídos no processo de comunicação.

Texto 1: Má Interpretação Provoca Respostas Erradas

Em certa ocasião, uma família britânica foi passar as férias na Alemanha. No decorrer de certo passeio, os membros da referida família encontraram uma pequena casa de campo, que lhes pareceu ótima para passarem as férias de verão.
Conversaram com o proprietário, um pastor protestante, e pediram que lhes mostrasse a casa. A residência agradou aos visitantes ingleses que combinaram ficar com ela para o verão próximo.
Regressando à Inglaterra, discutiram muito sobre a planta da casa, quando, de repente, a senhora lembrou-se de não ter visto o “WC”. Confirmando o senso prático dos ingleses, escreveram ao pastor para obter tal pormenor. A carta foi assim redigida: “Gentil pastor, sou membro da família que há pouco tempo o visitou com a finalidade de alugar sua casa no próximo verão, mas como esquecemos de um detalhe muito importante, agradeceríamos se nos informasse onde se encontra o WC”.
O pastor alemão, não compreendendo o sentido da abreviatura “WC” e julgando tratar-se da capela da seita inglesa White Chapel, assim assim responde: “Gentil senhora, recebi a sua carta e tenho o prazer de comunicar-lhe que o local a que se refere fica a 12 km da casa. Isto é muito cômodo, sobretudo se tem o hábito de ir lá frequentemente. Neste caso é preferível levar comida para ficar lá o dia todo. Alguns vão a pé, outros de bicicleta. Há lugar para 400 pessoas sentadas e 100 em pé. O ar condicionado é para evitar inconvenientes comuns nas aglomerações. Os assentos são de veludo; recomenda-se chegar cedo para arrumar lugar sentado.
As crianças permanecem ao lado dos adultos e todos cantam em coro. À entrada, é fornecida uma folha de papel a cada pessoa, mas se chegar depois da distribuição, pode usar a folha do vizinho ao lado. Tal folha deve ser restituída à saída para ser usada durante o mês. Existem amplificadores de sons. Tudo o que se recolhe é para as crianças pobres da região. Fotógrafos especiais tiram flagrantes para os jornais da cidade, de modo que todos possam ver seus semelhantes no cumprimento de um dever tão honrado.

Texto 2: O Eclipse do Sol


Capitão para Tenente: Tenente! Como amanhã haverá um eclipse do sol, determino que a companhia esteja formada, com uniforme de campanha, no campo de exercício, onde darei explicações em torno do raro fenômeno. Se acaso chover, nada se poderá ver, e neste caso ficará a companhia dentro do quartel.
Tenente para Sargento : Sargento! De ordem do Capitão, amanhã haverá um eclipse do sol, em uniforme de campanha. Toda a companhia terá de estar formada no campo de exercício, onde o Capitão dará as explicações necessárias, o que não acontece todos os dias. Se chover, o fenômeno será mesmo dentro do quartel.
Sargento para Cabo : Cabo! O Capitão fará amanhã um eclipse do sol no campo de exercício. Se chover, o que não acontece todos os dias, nada se poderá ver. Em uniforme de campanha, o Capitão dará a explicação necessária, dentro do quartel.
Cabo para Soldados : Soldados! Amanhã estaremos formados para receber o Sr. eclipse, que dará as explicações necessárias sobre o nosso Capitão. O fenômeno será em uniforme de exercício. Isso se chover dentro do quartel, o que não acontece todos os dias.
Comentários entre os soldados: Amanhã o capitão vai ser eclipsado no quartel, é pena que isso não aconteça todo dia.

Exercícios

1. Explique, com suas palavras, a causa do ruído na comunicação, no texto 1.

2. Agora, faça a mesma coisa com o texto 2.


3. A intolerância lingüística pode ser considerada um exemplo de ruído na comunicação.
Ex.: Um rapaz pergunta a outro:
- Você sabe que horas são?
E o outro responde:
- Sei.

a) Pode-se dizer que houve comunicação entre as duas pessoas envolvidas? Justifique.

b) Quando o primeiro rapaz pergunta se o outro sabia da hora, o que ele esperava de fato?


c) A resposta do segundo rapaz satisfez o primeiro? Por que?


CASOS DE INTOLERÂNCIA LINGUÍSTICA


A intolerância lingüística, como já vimos, é uma forma de ruído na comunicação, uma vez que pode impedir , de forma proposital, a compreensão entre as duas pessoas envolvidas no processo. Por outro lado, é um recurso muito utilizado em anedotas.

- Sua mãe ta aí. Você não vai receber?
- Receber por quê? Por acaso ela me deve alguma coisa?

- Escuta, não é melhor a gente tomar um táxi?
- Não, obrigado. Hoje eu não quero misturar mais nada.

A garçonete vem atender o médico coçando o nariz sem parar. O médico lhe pergunta:
- Você tem um eczema?
- Tudo o que tenho está aí no cardápio.

O bebum entra no consultório, e o médico diz:
- Eu não atendo bêbado.
E o bêbado:
- Quando o senhor estiver bom eu volto.

- Doutor, já quebrei o braço em vários lugares.
- Se eu fosse o senhor, não voltava mais pra esses lugares.

O policial aborda uma senhora na rua:
- Com licença, estamos procurando um ladrão com um carrinho de bebê.
- Não seria melhor se vocês usassem um carro da polícia?

Duas “cobras” olhando o céu, numa noite estrelada:
- Como nós somos insignificantes!
- Você e quem?

- Não deixe sua cadela entrar na minha casa de novo. Ela está cheia de pulgas.
- Diana, não entre nessa casa de novo. Ela está cheia de pulgas.

A garotinha visita a tia. Ouve o priminho chorando e pergunta:
- O que é que ele tem?
- Seus primeiros dentes estão nascendo.
- E ele não quer eles?

- Então o senhor sofre de artrite?
- É claro! O que o senhor queria? Que eu desfrutasse artrite, que eu usufruísse artrite, que eu me beneficiasse de artrite?

FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Para a maioria dos falantes, o uso da linguagem se dá de modo automático. Assim, raramente se percebe que o modo como a mesma se organiza está diretamente ligado à função que se deseja dar a ela.
A linguagem desempenha a sua função de acordo com a ênfase dada a cada um dos componentes do ato da fala. Assim sendo, como são seis esses componentes, também são seis as funções que a linguagem pode assumir.


1. Função emotiva ou expressiva – ocorre quando o emissor é posto em destaque, posicionando-se em relação ao tema que está sendo abordado, expressando sentimentos e emoções, resultando num texto subjetivo, escrito em primeira pessoa.

Ex.:

Quando eu estou aqui, eu vivo esse momento lindo...”
“Eu amava como amava o pescador, que se encanta mais com a rede que com o mar...”
“Penso que a revisão da maioridade penal no Brasil é um assunto urgente...”


2. Função conativa ou apelativa – ocorre quando o receptor é posto em destaque. Tem por objetivo influenciar o destinatário em forma de ordem, apelo ou súplica. Os verbos aparecem, geralmente, no modo imperativo, indicando ordem, pedido. É a função utilizada nas propagandas. Os verbos costumam ser usados na 2ª pessoa gramatical.

Ex.:

“O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde.”
“Beba Coca-Cola!”
“Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.”


3. Função referencial – o referente é posto em destaque. A intenção é transmitir ao receptor dados da realidade de uma forma direta e objetiva, utilizando palavras em seu sentido próprio, denotativo, prevalecendo o emprego da terceira pessoa.

Ex.:

“A sociedade brasileira está chocada com a falta de limites dos criminosos, que agem livremente com a certeza da impunidade...”
“Desde 1500, quando Cabral invadiu o Brasil, milhares de índios vêm sendo assassinados de maneira bárbara e vil...”

4. Função Metalingüística – quando o código é posto em destaque. Ocorre metalinguagem todas as vezes em que usamos a língua para explicar a própria língua.

Ex.:
O dicionário.
LÍNGUA é um sistema de signos que exprimem idéias...


5. Função fática – o canal é posto em destaque. A preocupação do emissor é manter contato com o receptor, prolongando uma comunicação ou testando o canal.

Ex.: As primeiras palavras de quem atende ao telefone(Alô! Pronto!);
Os cumprimentos diários(oi, tudo bem? Boa tarde!);


6. Função poética - A própria mensagem é posta em destaque. Escolhendo e combinando de maneira particular e especial as palavras, o poeta procura obter alguns elementos fundamentais da linguagem poética: ritmo, sonoridade, beleza, etc...

Ex.: De tudo ao meu amor serei atento
Antes e com tal zelo e sempre e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento...

Exercícios

1. Identifique a função da linguagem predominante nos fragmentos a seguir:

a) “Oh! Que saudade que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!”

b) “Não sacrifique quem tanto lhe serve. Piauí – pela vida dos jegues.”

c) “O trânsito brasileiro faz milhares de vítimas a cada ano.”

d) OCAPI(de origem africana) s.m. Mamífero ungulado, de tipo intermediário entre as girafas e os antílopes, de pescoço mais curto e colorido uniforme.

e) – Tá ouvindo? Alô!? Alô!?
- Alô!

f) “Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz...”


Denotação e Conotação

As noites de inverno, no litoral, costumam ser muito frias.
Não entendi por que, mas Maria anda muito fria comigo.


Quando usamos as palavras em seu sentido próprio, comum, do dicionário, temos um caso de denotação, como na primeira frase acima. Quando as usamos com sentido figurado, especial, diferente daquele que lhe é próprio, temos um caso de conotação, como na segunda frase.

Exercícios

Denotação ou conotação?

a) Aquela garota é um canhão.
b) O antigo canhão está exposto na entrada do quartel.
c) O rapaz roubou-lhe dois beijos.
d) Roubaram o banco da cidade.
e) Em crise, aquele rapaz atingiu o fundo do poço.
f) O funcionário desceu até o fundo do poço a fim de localizar o objeto.
g) Durante a subida, acabei quebrando um galho de árvore.
h) Pediu ao funcionário para lhe quebrar um galho.
i) O presidente quebrou o protocolo.
j) Ambrósia é escrava da moda.
l) “Naquele tempo, o escravo fugiu para o quilombo.”
m) Tive uma idéia luminosa.
n) Os cometas têm uma longa cauda luminosa.
o) Seus sapatos ficaram sujos de lama.
p) Sua empresa entrou em crise, e hoje ele está na lama.
q) O canto dos grilos atrapalhou meu sono.
r) Ana está grilada com o que ouviu do seu chefe.
s) Pedro joga bola todos os domingos.
t) Lindonésia não dá bola pra ninguém.
u) A sola do seu sapato está furada.
v) O bolo solou.

Texto literário e texto não-literário

Por que será que alguns textos são chamados de literários e outros não? Será que um texto literário precisa ter versos e palavras bonitas? Precisa ter rimas e metáforas?
Não é bem assim. O texto, para ser literário, precisa ter uma linguagem literária, ou seja, uma linguagem que saia do comum, da mera função referencial.

TEXTO 01

“Diariamente, duas horas antes da chegada do caminhão da prefeitura, a gerência (de uma das filiais do Mc Donald’s) deposita na calçada dezenas de sacos plásticos recheados de papelão, isopor, restos de sanduíches. Isso acaba propiciando um lamentável banquete de mendigos. Dezenas deles vão ali revirar o material e acabam deixando os restos espalhados pelo calçadão.” (Revista Veja SP)


TEXTO 02 - O Bicho – Manuel Bandeira

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.


Exercícios

1. Linguagem literária ou não-literária (referencial)?

a) “O homem velho deixa vida e morte para trás
Cabeça a prumo, segue rumo e nunca, nunca mais
O grande espelho que é o mundo ousaria refletir os seus sinais
O homem velho é o rei dos animais.”

b) “Para o mundo quando era quinhentos anos mais novo, os contornos de todas as coisas pareciam mais nitidamente traçados do que nos nossos dias. O contraste entre o sofrimento e a alegria, entre a adversidade e a felicidade parecia mais forte.”

c) “A rede de tricô era áspera entre os dedos, não íntima como quando a tricotara. A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. E como uma estranha música, o mundo recomeçava ao redor.”

d) “Autoridades culturais italianas estão tentando levantar fundos (com participação internacional) para desenterrar e recuperar os tesouros arqueológicos da cidade de Herculano, destruída com Pompéia pelo vulcão Vesúvio (sul de Nápoles).

PROSA E VERSO

PROSA – organização natural da linguagem humana, fala cotidiana; é a forma típica da linguagem não-literária, o que não significa que não haja prosa literária. A prosa está para a nossa vida diária como caminhar e falar.

VERSO – forma artificial da linguagem; não constitui nossa maneira usual de falar ou escrever; o texto escrito em verso apresenta ritmo especial, musicalidade, rima; linguagem literária. O verso está para a nossa vida diária como dançar e cantar.

TEXTO 01 – PROSA LITERÁRIA – Cecília Meireles

“A quinhentos metros, os vossos belos olhos desaparecem; e essa claridade do vosso rosto; e a fascinação da vossa palavra. É uma pena (eu também acho que é uma pena!), mas, a quinhentos metros, tudo se torna muito reduzido: sois uma pequena figura sem pormenores; vossas amáveis singularidades fundem-se numa sombra neutra e vulgar. Ao longe, caminhais como qualquer pessoa – e até como certas aves: é o que resta de vós: esse ritmo, na imensa estrada que também se vai projetando, estreita e indistinta, sobre o horizonte.”

TEXTO 02 – VERSO – Carlos Drummond de Andrade

João amava Tereza que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento.
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história.

Vícios de Linguagem

Barbarismo – consiste em escrever ou pronunciar uma palavra em desacordo com a norma culta.
Ex.: Adivogado ou adevogado em vez de advogado.
Gratuíto em vez gratuito.

Solecismo – desvio da norma em relação à sintaxe de concordância ou de regência.
Ex.: Fazem dois anos que viajamos em vez de faz dois anos...
Visava uma posição de destaque em vez visava a uma...

Ambigüidade ou anfibiologia – quando a frase tem mais de um sentido.
Ex.: O menino viu o incêndio do prédio.
Ama o pai o menino.

Cacófato ou cacofonia – som desagradável produzido a partir da junção indevida de palavras.
Ex.: Mande-me já a encomenda.
Eu amo ela.

Pleonasmo – repetição desnecessária de palavras para expressar uma mesma idéia.
Ex.: Ele teve uma hemorragia de sangue.
O menino entrou para dentro.

Arcaísmo – utilização de palavras ou expressões antigas, ultrapassadas, que já caíram em desuso.
Ex.: Vossa Mercê me permite uma observação.
Qual a sua graça?

Eco – repetição de um mesmo som numa seqüência de palavras.
Ex.: A decisão da eleição não causou comoção na população.

Neologismo – Criação desnecessária e abusiva de palavras novas.
Ex.: O ministro se considerava imexível.
O garoto ameaçou dar uma paralepipada no colega.

EXERCÍCIOS

Localize e nomeie os vícios de linguagem.

a) O diretor deferiu favoravelmente o meu requerimento.

b) A brisa matinal da manhã nos deixava tranqüilos.

c) Fazem mais de três anos que ela não aparece.

d) Não admitiremos excessões em ipótese alguma.

e) O funcionário colocou sua rúbrica no documento.

f) Nunca gaste mais do que tem.

g) Haviam menas alunas naquela sala.

h) Ele encontrou o ladrão na sua casa.

i) Manoel comprou um pastel no quiosque do Léo.

j) Falta cinco alunos.

k) Saiu para fora desesperado.

l) Jacinto, vi a Célia passeando com a sua irmã.

m) A boca dela é encantadora.

n) Proporam um ótimo negóssio.

o) Que demora! Será que nunca Brito vem?

p) Tomou uma paralepipada na cabeça e desmaiou.

q) Vossemecê é um bom amigo.

r) Eu vi ele não faz muito tempo.

s) “Aquele rapazinho escreveu esta carta para o irmão: Querido mano, ontem futebolei bastante, com amigos. Depois cigarrei um pouco e nos divertimos montanhando até que o dia anoitou. Então desmontanhamos, nos amesamos, sopamos, arrozamos, ensopadamos e cafezamos. Em seguida varandamos. No dia seguinte, cavalamos muito.” (Millôr Fernandes)


COISA – 1001 utilidades

O substantivo COISA assumiu tantos valores que cabe em quase todas as situações cotidianas, é o “coringa” da nossa língua. Dos 13 sinônimos mais comuns, citados pelo Aurélio, o mais geral é: “aquilo que existe ou pode existir”. Ou seja, coisa é tudo e, também, qualquer objeto isolado.

COISADA – reunião ou amontoado de coisas diferentes.

COISAR – refletir, matutar, imaginar. Em Portugal, “relação sexual”.

COISAS – bens, propriedades, valores e, no Nordeste, órgãos sexuais.

COISICA – coisa pequena, coisita, bagatela, insignificância.

COISIFICAR – tratar alguém como coisa, reduzir o que há de humano a valores puramente materiais.

COISO – qualquer pessoa, fulano.

COISÍSSIMA – da locução adverbial “coisíssima nenhuma” = de modo algum ou absolutamente nada.

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? As melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más. Bom, pra concluir, vamos lembrar o mandamento: “amarás a Deus sobre todas as coisas.”

“A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: “Agora a coisa vai.” Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar, outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!”

Interpretação Textual

Alguns recursos estilísticos ou literários auxiliam na compreensão de textos. A seguir, abordaremos alguns desses recursos utilizados na Bíblia.

Comparação – relação entre duas ou mais coisas iguais ou parecidas: como, tal como, igual a, etc..
Ex.: “... e o povo em multidão como a areia que está à beira do mar.” 1 Sm 13:5.

Contraste – é o inverso da comparação. O objetivo é destacar diferenças ou oposições: mas, ou, de outra forma, entretanto, antes, etc..
Ex.: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios... antes tem seu prazer na lei do Senhor.” – Sl 1:1,2.

Repetição – uso repetido de palavras, frases ou orações idênticas a fim de enfatizar aquilo que se pretende dizer ou para reforçar uma idéia.
Ex.: “Ai daquele que...” Hb 2;
“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas.” Mt 23.

Continuação – apresentação de um tema com introdução, desenvolvimento e conclusão. É uma sequência lógica.
Ex.: Jonas 1:3: Jonas decidiu sair da presença so Senhor, foi a Jope, encontrou um navio que o conduziria à Espanha, pagou sua passagem e subiu a bordo.

Clímax – ponto crítico de uma narrativa, ponto de interesse máximo, momento esperado pelo leitor ou ouvinte.
Ex.: clímax do livro de Êxodo: 40:34,35.

Sumarização – resumo, equivale a uma conclusão: Gn 45 resume a história de José.

Recursos estilísticos utilizados no texto bíblico

Metáfora – é uma comparação abreviada; um desvio da significação própria de uma palavra, nascido de uma comparação mental.
Ex.: As derrotas e as desilusões são amargas.
“Eis que farei vir o meu servo, o renovo.

Metonímia – é o uso de uma palavra em lugar de outra, havendo entre ambas alguma relação.

a) Os progenitores por sua descendência: “Duas nações há no teu ventre.
b) Os autores por seus escritos: “Eles têm Moisés e os profetas.”
c) A idade por aqueles que a têm: “Falem os dias, e a multidão dos anos ensine a sabedoria.”
d) O geral pelo particular: “Então saíam a Ter com Ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão.”
e) O particular pelo geral: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje.”

Hipérbole – é a expressão exagerada de uma idéia.
Ex.: “As cidades são grandes e fortificadas até aos céus.”

Ironia – ocorre quando dizemos o contrário daquilo que pensamos, geralmente, com intenção sarcástica.

Ex.: “Disse Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal.”
“Ó tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas! Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus! E desce da cruz!”

Prosopopéia – personificação de seres inanimados.
Ex.: “Todos os meus ossos dirão: Senhor, quem contigo se assemelha?
“A voz do sangue do teu irmão clama da terra a mim.”

Antropomorfismo – utilizada no intuito de atribuir a Deus ações e faculdades humanas, bem como órgãos do corpo humano.
Ex.: “E o Senhor aspirou o suave cheiro.”
“Por que retiras a tua mão, sim, a tua destra e a conservas no teu seio?”



ACORDO ORTOGRÁFICO FIRMADO ENTRE OS OITOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné Bissal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

“A adopção de uma única ortografia entre países de língua portuguesa pode ser óptima.”

Em Portugal, a frase acima estaria corretíssima. Já no Brasil, a letra P (nessas palavras) está sobrando e parece um erro de digitação – apesar de todos sabermos que se trata do mesmo idioma.

Além da unificação da grafia, o acordo propõe simplificar o idioma, como ocorreu em 1910, quando uma reforma semelhante alterou o modo de escrever de palavras como pharmacia e christallino. Na época, porém, as mudanças foram encabeçadas por Portugal, que não consultou o Brasil e acabou aprofundando algumas diferenças ortográficas.

Aqui no Brasil, a última grande reforma do idioma foi feita em 1971, a fim de aproximar mais nosso jeito de escrever do de Portugal.

Esse novo acordo vem sendo discutido desde 1980 entre os integrantes da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em 1990, o acordo estava pronto, mas o Congresso Nacional brasileiro só aprovou o texto em 1995 e sua implementação foi engavetada, esperando a aprovação dos parlamentares de Portugal.

Segundo o MEC, todos os textos produzidos e publicados a partir de 2009 terão de ser impressos segundo as novas regras lingüísticas. Vestibulares, concursos e avaliações poderão aceitar as duas grafias como corretas até 31 de dezembro de 2011.


MUDANÇAS

O ACENTO AGUDO desaparece das palavras da língua portuguesa nos três casos a seguir:


a) Nos ditongos abertos ei e oi das palavras paroxítonas.

COMO ERA / COMO ESTÁ
assembléia / assembleia
idéia / ideia
heróico / heroico
Jibóia / jiboia
NOTA: a pronúncia não se altera.


OBS.: Nada muda nas palavras oxítonas e monossílabas tônicas terminadas em éi, éu, ói: herói, constrói, dói, ilhéu, chapéu, anéis, dói, céu, véu.


b) Nas palavras paroxítonas com i e u tônicos que formam hiato com a vogal anterior, quando esta faz parte de um ditongo.

COMO ERA / COMO ESTÁ
baiúca / baiuca
boiúna / boiuna
feiúra / feiura

OBS.: Nada muda nas palavras em que i e u formam hiato, mas estão sozinhos na sílaba ou seguidas de s: baú, baús, saída, Piauí, Itaú...

c) No u tônico de formas verbais rizotônicas (com acento na raiz) quando parte dos grupos que, qui, gue, gui.

COMO ERA / COMO ESTÁ
argúis / arguis
argúem / arguem
redargúis / redarguis
redargúem / redarguem
apazigúe / apazigue
obliqúes / obliques


O ACENTO CIRCUNFLEXO não será mais usado nas palavras terminadas em oo.

COMO ERA / COMO ESTÁ
enjôo / enjoo
vôo / voo
abençôo / abençoo
corôo / coroo
magôo / magoo
perdôo / perdoo
côo / coo


Da mesma forma, deixa de ser usado o circunflexo na conjugação da terceira pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer, dar, ler e ver.

COMO ERA / COMO ESTÁ
crêem / creem
dêem / deem
lêem / leem
vêem / veem
descrêem / descreem
relêem / releem
revêem / reveem

OBS.: Nada muda na acentuação dos verbos TER e VIR e seus derivados, ou seja, eles continuam com acento circunflexo no plural (eles têm / eles vêm) e, no caso dos derivados, com o acento agudo nas formas que possuem mais de uma sílaba no singular (ele detém / ele intervém).

O ACENTO DIFERENCIAL (agudo ou circunflexo) utilizado para permitir a identificação mais fácil de palavras paroxítonas homógrafas, ou seja, que têm a mesma pronúncia, deixa de ser utilizado nos casos a seguir:

COMO ERA / COMO ESTÁ
Pára (verbo) – para (preposição) / para
Péla (verbo pelar) – pela (preposição com artigo) / Pela
Pólo (substantivo) – polo (união antiga e popular de por + lo) / Polo
Pélo (verbo pelar) – pêlo (substantivo) / Pelo
Pêra (substantivo, a fruta) – péra (substantivo arcaico que significa pedra) – pêra (preposição arcaica que significa para) / Pera
côa (verbo coar) / coa

OBS.: Nada muda nos casos a seguir:
Pôr (verbo) – por (preposição)
Pôde (verbo no passado) – pode (verbo no presente).

O acento continua facultativo em fôrma / forma.

ELIMINAÇÃO DO TREMA – O trema, sinal gráfico de dois pontos usado em cima da letra ü para indicar que essa letra, nos grupos que, qui, gue, gui, é pronunciada, deixa de existir na língua portuguesa. A pronúncia das palavras, porém, continua a mesma.

COMO ERA / COMO ESTÁ
agüentar / aguentar
eloqüente / eloquente
freqüente / frequente
lingüiça / linguiça
sagüi / sagui
sequestro / sequestro
tranqüilo / tranquilo
anhangüera / anhanguera

OBS.: O trema deve ser mantido em nomes próprios estrangeiros, bem como em seus derivados: Bündchen, Müller (mülleriano).

PALAVRAS COMPOSTAS

O caso do hífen ainda é um problema mal resolvido, com casos em discussão na ABL (Academia Brasileira de Letras), mas deixa de ser usado nas seguintes situações:

a) quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com s ou r. Nesse caso, a consoante será, obrigatoriamente, suplicada.

COMO ERA / COMO ESTÁ
anti-religioso / antirreligioso
anti-semita / antissemita
contra-regra / contrarregra
contra-senha / contrassenha
extra-regulamentação / extrarregulamentação
ante-sala / antessala
anti-rugas / antirrugas
auto-retrato / autorretrato
contra-senso / contrassenso
ultra-romântico / ultrarromântico
ultra-som / ultrassom
semi-sintético / semissintético
supra-renal / suprarrenal

b) quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente.

COMO ERA / COMO ESTÁ
auto-aprendizagem / autoaprendizagem
auto-estrada / autoestrada
extra-escolar / extraescolar

PERMANÊNCIA E INCLUSÃO

a) O hífen permanece nos casos em que o prefixo termina com r (hiper, inter, super) e a primeira letra do segundo elemento também é r: hiper-requintado, super-resistente.

b) Ganham hífen as palavras em que o prefixo termina com a mesma vogal que inicia o segundo elemento: anti-inflacionário, arqui-inimigo, micro-ondas, micro-ônibus...
EXCEÇÕES: fica fora desse caso o prefixo co: cooperar, coordenar...


INCLUSÃO OFICIAL DE LETRAS QUE NUNCA FORAM EXCLUÍDAS

Nosso alfabeto passa a ter 26 letras (hoje são 23). Incorporam-se oficialmente as letras k, w e y, porém seu uso fica restrito a alguns casos, como já acontece atualmente:

a) em nomes próprios de pessoas e seus derivados: Franklin, Darwin (darwinismo), Byron, Taylor.

b) em nomes próprios de lugares originários de outras línguas e seus derivados: Kuwait (kuwaitiano), Washington, Kiev.

c) em símbolos, abreviaturas, siglas e palavras adotadas como unidades de medida internacionais: km (quilômetro), w(watt), www (Word wide web – rede mundial de computadores).

d) em palavras estrangeiras incorporadas à língua: sexy, show, download, megabyte.


ALGUMAS MUDANÇAS NÃO AFETAM O PORTUGUÊS BRASILEIRO, onde tais casos já não existem faz tempo:

a) eliminação do h inicial em palavras como herva e húmido, que há muito tempo por aqui já é erva e úmido;

b) eliminação do c e do p nas palavras em que essas letras não são pronunciadas: acção, aflicto, baptizar, exacto. Para nós, já há muito tempo: ação, aflito, batizar e exato.


AULA DE PORTUGUÊS

A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.


Carlos Drummond de Andrade



SOBRE A DÁDIVA - Khalil Gibran

Vós dais pouco quando dais de vossas posses.

É quando dais de vós próprios, que realmente dais,

Pois o que são vossas posses, senão coisas que guardais

Por medo de precisardes delas amanhã?

Há os que dão pouco do muito que possuem,

E fazem-no para serem elogiados,

E seu desejo secreto desvaloriza seus presentes.

E há os que pouco têm e dão-no inteiramente.

Esses confiam na vida e na generosidade da vida,

E seus cofres nunca se esvaziam.

E há os que dão com alegria,

E essa alegria é sua recompensa.

É belo dar quando solicitado;

É mais belo, porém, dar sem ser solicitado,

Por haver apenas compreendido

PARA ONDE CAMINHA A IGREJA?
Isac Machado de Moura

Igrejas,
Projetos,
Comunidades,
Dogmas,
Doutrinas,
Tradições,
Costumes,
Pessoas.
O que representam as pessoas?
Prioridade?
Estatística?
Números apenas?
As pessoas têm fé,
Têm família,
Têm estômago.
As pessoas são vítimas de desigualdades.
E a igreja nisso tudo?
Amém?
Sermão, boa música e tudo bem?
Resolve tudo a oração?
Para onde caminha a igreja?
Em que direção vamos?
A igreja somos homens,
Mulheres,
Crianças,
A igreja é esperança.
Evangelho social,
Teologia da libertação,
Pode ser uma boa direção.
O estômago primeiro,
Depois o evangelho,
Ou nada fará sentido.
Que momento é esse do Cristianismo,
Em que ignora-se o socialista “pão e peixe para todos”
E valoriza-se o capitalista
“farinha pouca, meu pirão primeiro”?
E os líderes,
O que fazem, de fato, pelo seu povo,
Pelas suas ovelhas,
Além de negociarem seus votos,
De fecharem acordos,
De se beneficiarem,
Alegando visão e audição apuradas,
Sobrenaturais até?
Estou farto.
Apesar de tudo isso,
Ainda existem líderes
Que a exemplo de Francisco de Assis,
Embora sem o extremo voto de pobreza,
Entendem que suas necessidades,
E apenas elas,
Precisam ser atendidas,
E dispensam o luxo,
E esquecem de si próprios
E vivem pelo seu povo;
Aqueles, que a exemplo de Cristo,
Se dispõem a dar a vida
Por suas ovelhas;
Aqueles, que assim como Luther King
(um norte-americano do bem),
leva seu povo a entender
que as diferenças existem
e devem ser respeitadas
e que as desigualdades, essas sim,
precisam ser exterminadas,
e que pior que a maldade dos maus
é o silêncio dos bons;
líderes que entendem
que o mais importante
não é a denominação,
mas os princípios universais
de amor ao outro
estabelecidos por Cristo;
que todos fazemos parte de uma teia,
que todos somos gente,
e que, conseqüentemente, temos falhas.
Gosto de líderes povo,
De líderes gente,
Que embora austeros,
Não são autoritários,
Dos que diferenciam autoridade de autoritarismo,
Dos que dominam a si mesmos.
Gosto de Gandhi,
Que embora portador de uma natureza violenta,
Tornou-se símbolo da paz;
Gosto de Luther King,
Que embora chamado para o sacerdócio,
Não deixou de lado as lutas sociais do seu povo,
Ou, que embora lutador das causas sociais,
Não renunciou ao sacerdócio;
Gosto de João Paulo II,
Que embora conservador,
Conquistou uma geração de católicos e não-católicos;
Gosto de líderes que mudam,
Que são “metamorfoses ambulantes”,
Que reconhecem quando erram e se desculpam,
Que não negociam a fé,
Nem a sua, nem a dos outros;
Gosto de líderes que falham.



2 comentários:

  1. Nunca vi nada igual. Adorei. Tudo de bom. Sou professor da escola bíblica a 25 anos. Parabens professor Isac Machado de Moura. Alem de voce procurar saber, voce sabe transmitir sabiamente.Tentei me cadastrar mas, nao consegui. Meu nome: Cila Saraiva Barbosa, 47 anos. Data de nascimento: 02 de janeiro de 1962. Sexo masculino. Meu E-mail: cilasbarbosa@hotmail.com

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  2. PARABÉNS,SOU PROFESSOR NA CIDADE DE SALVADOR
    SEMINÁRIO TEOLÓGICO SOTEROPOLITANO,CONTEÚDO MUITO ÚTIL.FORTE ABRAÇO
    E-MAIL:MARCIOFILIPOS@HOTMAIL.COM

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